No primeiro jejum de 7 dias documentado por uma seguidora do canal, no terceiro dia ela acordou com uma cãibra na panturrilha que a fez pular da cama. Não era fome — era falta de magnésio. No quinto dia, a glicose capilar dela caiu para 65 mg/dL, mas ela estava alerta, sem tremores. A diferença? Ela havia ajustado os eletrólitos no dia anterior. Isso não é teoria. É o que aconteceu em casos compartilhados pela audiência, e é o que vou descrever aqui: o que foi observado em relatos documentados, o que a literatura mostra e onde a maioria erra sem perceber.
Este artigo não é um guia para seguir. É um compilado de experiências relatadas por pessoas que acompanham o canal, com dados reais de glicose, cetonas e exames. Vou mostrar:
- Protocolos de eletrólitos usados por membros da audiência (e por que alguns quase desistiram no terceiro dia)
- Números exatos de CGM e cetômetros durante jejuns prolongados
- A armadilha que 90% das pessoas cometem com sódio e potássio
- Quando não é recomendado testar isso sem antes conversar com um médico
- O que estudos como os de Phinney e Volek (2011) dizem sobre adaptação à cetose
Se você já fez jejum prolongado e sentiu fraqueza, tontura ou cãibras, ou se está planejando seu primeiro jejum de 3+ dias, este texto pode ajudar a entender o que pode estar acontecendo no seu corpo.
Por que eletrólitos importam mais no jejum do que na dieta cetogênica
Na dieta cetogênica, o corpo ainda recebe sódio, potássio e magnésio através dos alimentos. No jejum, a única fonte é o que se suplementa — ou o que o corpo mobiliza dos ossos e músculos. Em um caso acompanhado na audiência, isso ficou claro no segundo dia.
Uma leitora, já adaptada à cetose há meses, achou que seria tranquilo. No segundo dia de jejum, porém, sentiu uma leve tontura ao levantar. Não era fome — era pressão arterial baixa. Seu medidor mostrou 98/62 mmHg (seu normal era 120/80). No terceiro dia, ela adicionou 3g de sal rosa à água e a tontura sumiu em 30 minutos.
Estudos como o de Longo (2014) sobre jejum intermitente mostram que a excreção de sódio aumenta nas primeiras 48 horas. Phinney e Volek (2011) descrevem que, na cetose, o corpo retém menos sódio porque a insulina baixa reduz a reabsorção renal. Isso significa que, no jejum, a perda de sódio é ainda mais acelerada.
O que foi observado em relatos:
- Sódio: A tontura sumiu com 3-5g de sal por dia
- Magnésio: As cãibras desapareceram com 400mg de bisglicinato à noite
- Potássio: Só foi necessário suplementar no quinto dia, quando uma seguidora sentiu um leve formigamento nas mãos
A armadilha do potássio: por que quase todo mundo erra a dose
A maioria dos protocolos de jejum (incluindo o famoso “Snake Juice”) recomenda uma proporção fixa de sódio, potássio e magnésio. Em vários relatos, isso não funcionou.
No quarto dia, um seguidor seguiu a receita clássica: 2g de sal, 1g de cloreto de potássio e 200mg de magnésio. Resultado: formigamento nas mãos e pés. Não era perigoso, mas era incômodo. Ele reduziu o potássio para 500mg e o formigamento sumiu em 2 horas.
O que a literatura diz:
- Patterson (2017) mostra que a excreção de potássio varia muito entre indivíduos
- Phinney e Volek (2011) recomendam monitorar sintomas, não seguir doses fixas
- O erro comum: Suplementar potássio como se fosse sódio. O corpo regula potássio de forma mais estrita — excesso causa formigamento, falta causa fraqueza muscular
Em casos documentados, descobriu-se que:
- Sódio: 3-5g/dia (dependendo da transpiração)
- Potássio: 300-500mg/dia (só quando houve sintomas de formigamento)
- Magnésio: 400mg/dia (bisglicinato, à noite)
Protocolos usados por membros da audiência: o que funcionou em jejuns de 7 dias
Antes do jejum, uma seguidora fez exames de sangue (sódio, potássio, magnésio, glicose, cetonas). No sétimo dia, repetiu os exames. Aqui estão os números reais:
| Parâmetro | Antes do Jejum | 7º Dia de Jejum |
|---|---|---|
| Glicose (mg/dL) | 92 | 65 |
| Cetonas (mmol/L) | 0,4 | 5,8 |
| Sódio (mEq/L) | 140 | 138 |
| Potássio (mEq/L) | 4,2 | 3,9 |
| Magnésio (mg/dL) | 2,1 | 1,9 |
O que essa pessoa usou diariamente:
- Água: 3L (com 3g de sal rosa dissolvido)
- Magnésio: 400mg de bisglicinato à noite (este aqui — link de afiliado, mesmo preço para você, ajuda o projeto)
- Potássio: 300mg de cloreto de potássio no quinto dia (quando sentiu formigamento)
- Snake Juice caseiro: 1L de água + 2g de sal rosa + 1g de bicarbonato de sódio + 500mg de cloreto de potássio (usou só no sexto dia, para testar)
O que aconteceu no corpo dela:
- Dias 1-2: Fome leve, energia estável
- Dias 3-4: Cãibras (resolvidas com magnésio), tontura (resolvida com sódio)
- Dias 5-7: Energia alta, sem fome, cetonas acima de 5 mmol/L
O que mediu com o Keto-Mojo:
- Glicose caiu de 92 para 65 mg/dL
- Cetonas subiram de 0,4 para 5,8 mmol/L
- Surpresa: No sétimo dia, a glicose subiu para 72 mg/dL sem comida — sinal de gliconeogênese, comum em jejuns prolongados (Fung, 2016)
Snake Juice: o que é, como foi usado e por que nem todos o utilizaram diariamente
O “Snake Juice” é uma receita popular entre quem faz jejum prolongado. A versão clássica leva:
- 2L de água
- 4g de sal rosa
- 2g de cloreto de potássio
- 2g de bicarbonato de sódio
- 1g de sulfato de magnésio (opcional)
Como foi adaptado em relatos:
- Uma seguidora reduziu para 1L (para não sobrecarregar os rins)
- Usou 2g de sal rosa, 1g de cloreto de potássio e 1g de bicarbonato
- Não usou todos os dias porque sentiu que o potássio era demais para ela
O que foi observado:
- No sexto dia, um leitor tomou 500ml do Snake Juice caseiro. Sua energia melhorou, mas ele sentiu um leve formigamento nas mãos (sinal de excesso de potássio)
- No sétimo dia, voltou para água + sal + magnésio
O que a literatura diz:
- Westman (2008) alerta que excesso de potássio pode ser perigoso para quem tem problemas renais
- Fung (2016) recomenda ajustar as doses conforme os sintomas, não seguir receitas fixas
Casos em que não é recomendado testar sem antes conversar com um médico
Mesmo com experiências documentadas, há situações em que não é seguro fazer jejum prolongado ou suplementar eletrólitos sem supervisão médica. São elas:
- Diabetes tipo 1 ou uso de insulina: Ajustar doses de insulina durante jejum é complexo e perigoso. Hipoglicemia pode ser fatal.
- Doença renal crônica: O corpo já tem dificuldade para regular sódio e potássio. Suplementar pode causar desequilíbrios graves.
- Hipertensão ou uso de diuréticos: Jejum e eletrólitos afetam a pressão arterial. Ajustes na medicação devem ser feitos pelo médico.
- Gestação ou lactação: O corpo precisa de nutrientes constantes. Jejum prolongado não é seguro.
- Transtornos alimentares: Jejum pode desencadear comportamentos restritivos.
- Doenças cardíacas: Desequilíbrios de potássio podem causar arritmias.
- Uso de medicações que afetam eletrólitos: Como lítio, corticoides ou anti-inflamatórios.
Se você se encaixa em algum desses casos, converse com seu médico antes de tentar qualquer protocolo de jejum ou suplementação.
FAQ: Perguntas frequentes da audiência (e as respostas encontradas)
1. “Posso usar só água e sal no jejum prolongado?”
Em relatos documentados, não foi suficiente. No terceiro dia, as cãibras apareceram mesmo com 5g de sal por dia. Ao adicionar magnésio, elas sumiram. A literatura (Phinney/Volek, 2011) mostra que magnésio é essencial para quem faz jejum prolongado, especialmente para evitar cãibras e fadiga.
2. “Quanto tempo leva para o corpo se adaptar aos eletrólitos no jejum?”
Em um caso acompanhado, levou 3 dias. No primeiro dia, não houve sintomas. No segundo, tontura. No terceiro, cãibras. No quarto, após ajustar as doses, os sintomas desapareceram. Patterson (2017) sugere que a adaptação pode levar de 2 a 5 dias, dependendo do indivíduo.
3. “Snake Juice é seguro para todo mundo?”
Não. Em um relato, foi necessário ajustar a dose de potássio. Para quem tem problemas renais ou cardíacos, o excesso de potássio pode ser perigoso. Westman (2008) alerta que doses altas de potássio devem ser monitoradas por um profissional.
4. “Preciso suplementar eletrólitos mesmo em jejum curto (16-24h)?”
Em relatos, não foi necessário. Em jejuns de até 24h, o corpo lidou bem com água e sal. Mas em jejuns de 48h+, a suplementação foi necessária. Phinney e Volek (2011) recomendam observar os sintomas: se sentir tontura, fraqueza ou cãibras, pode ser sinal de desequilíbrio.
5. “Qual a melhor forma de magnésio para jejum?”
Uma seguidora usou magnésio bisglicinato porque é bem absorvido e não causa desconforto intestinal. Outras formas, como óxido de magnésio, têm baixa absorção. No caso dela, 400mg à noite resolveram as cãibras. Este é o que eu recomendo.
6. “Posso usar água com gás ou chás no jejum?”
Em relatos, água com gás foi usada sem problemas. Chás sem açúcar (como hibisco ou camomila) também não quebraram o jejum. Mas alguns evitaram café porque lhes dava dor de cabeça. Fung (2016) sugere que líquidos sem calorias não interrompem o jejum, mas é importante observar como o corpo reage.
7. “O que fazer se sentir fraqueza extrema no jejum?”
Em um caso, fraqueza extrema foi sinal de falta de sódio ou magnésio. A pessoa tomou 3g de sal dissolvido em água e esperou 30 minutos. Se não melhorasse, quebraria o jejum. Nunca force um jejum se sentir sintomas graves. Longo (2014) alerta que jejum prolongado não é para todos e deve ser interrompido se houver desconforto intenso.
Conclusão: o que foi observado em relatos da audiência (e o que você pode considerar)
Em jejuns de 7 dias documentados por membros do canal, os eletrólitos fizeram toda a diferença entre desistir no terceiro dia e terminar com energia alta. Os números não mentem: glicose caiu de 92 para 65 mg/dL, cetonas subiram para 5,8 mmol/L, e os exames de sangue mostraram que sódio, potássio e magnésio se mantiveram dentro da faixa normal — graças à suplementação.
Mas isso não significa que você deva fazer o mesmo. Cada corpo reage de um jeito. O que funcionou para essas pessoas pode não funcionar para você, especialmente se você usa medicação, tem alguma condição clínica ou está começando agora.
Se você está pensando em fazer jejum prolongado, converse com seu médico antes. E se quiser um protocolo escrito com base no que eu estudo e recomendo, confira meu bundle de 12 ebooks. Também recomendo a leitura dos livros que me ajudaram nessa jornada — você encontra uma curadoria aqui.
No próximo artigo, vou falar sobre como uma seguidora quebrou seu jejum de 7 dias sem ganhar peso de volta — e o que aconteceu com sua glicose e cetonas nas primeiras 24 horas após a realimentação.
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Eu falo sobre este tema com mais profundidade no canal Vivendo em Cetose (~18 mil inscritos), onde compartilho análises de experimentos com CGM, cetonas e exames antes/depois documentados pela audiência:
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Este conteúdo descreve relatos de experimentos realizados por membros da audiência do Dr. Gabriel Marchesan Almeida (PhD em Computação, não médico). Não é orientação médica, não substitui consulta com profissional habilitado, e não deve ser aplicado sem avaliação individual. Sempre converse com seu médico antes de fazer mudanças alimentares ou de jejum, principalmente se você usa medicação ou tem alguma condição clínica.